yellow

foi uma simples pergunta: “você é solteira?”, e minha mente parou por uns cinco segundos. me veio a lembrança de como é gostoso te ver sorrindo, ver seus olhos – que são lindos, inclusive -, em mim.

parei porque o nosso relacionamento sem compromisso me deixa presa a você. as pessoas livres como eu, não costumam se acostumar em gaiolas, mas nós dois somos dois pássaros numa gaiola aberta; livres pra voar e voltar quando quisermos.

parei porque minha vontade é de nunca voar. se for para voar, que seja juntos.

parei porque há tempos eu respondia essa pergunta com a maior naturalidade do mundo, e ontem foi diferente; eu simplesmente parei.

parei porque eu não quero que nosso lance torne-se uma prisão, mas desejo muito que seja de verdade até o fim ou eternidade.

parei porque sou uma solteira apaixonada, e tive mais certeza que esse estado civil pouco importa quando nosso coração e pensamentos já estão domados por alguém.

estou livremente presa e foda-se meu ego que acostumou-se a ser exílio.
me perdoem, mas não haverá mais poesias melancólicas por causa de uma solidão que não é mais minha…

hoje meu mundo tem cor. não sei até quando durará, mas agora ele é yellow.

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sem título

nadando nas nebulosas, o universo instantaneamente me controla, uno versos e é literalmente isso que me consola,

minha tropa que trupe pela beira da estrada, é a paisagem natural em meio a geográfica, é a roupa que veste o nada

o humilde tornou-se rei…

sou menos nervosa agora, continuo teimosa: glória! Tenho a força do sol em mim: lua. Sou várias: nua, ao me despir em frases e fases, crua. 
convido-vos a chorar, desabafar, desabar e a especialmente, se recriar. Cria das estradas de terra sou, filha da Mãe Terra – valente – sou.

fica para fixar minha mensagem: morra…

sem cor nem brilho, cem fé

com notas no bolso me noto no bolso de um magnata,

minha vida é lixo e tóxico, torço pra melhorar,

é melhor orar em silêncio, talvez assim Deus me ouça,

é difícil reconhecer que vivi milênios, penso isso gritando pra não me internarem e me rendo.

renda mínima, vendo a menina vendida por pouco,
reflito sobre o meu valor, concluo que que ao contrário dela não valho nada,

o que difere é só o tamanho da dor que não se mede,

eu não dou importância a nada disso, singelamente egoísta dou importância pra isto…
é justo!

supero com resiliência o que não queria pra minha vida mas aceito,

tenho dinheiro mas não tenho o cuidado da minha mãe todos os dias,

não entendo tamanha sensibilidade aqui dentro.

morro a cada dia mais um pouco e esse ano já me suicidei mais de oito vezes.

peço perdão a vida(…)

quarta-feira

Depois da quarta dose vem a quarta morte, a próxima quinta vida já cheira a solidão

Mas, como quem não sabe sobre dor, eu bato de frente com ela, fingindo muito bem: sorrindo.

Depois que a driblo desejando-lhe boas vindas, maquiavélica e friamente penso em como assassiná-la.

De forma gradual e precisa eu analiso os pontos fracos da mesma, e percebo quão cruel a ela é…

Já não me importo mais, provavelmente fingiremos ser boas amigas como sempre fizemos;

Apesar de sermos rivais eternas,

Eternizo as lembranças e sento frente a frente com ela e converso…

 Com versos expresso o mínimo que eu sinto, as linhas aliviam, mas são limitadas à minha vasta capacidade de sentir e pensar.


Obrigada pelo espaço!

o inferno que criei

O verso me liberta, vê só, a solidão
é um bálsamo para minh’alma

Minha melhor versão não mostro de cara,
me olho e não reconheço esses carmas.

Das armas que uso, nem todas assumo.
Estou prestes a sumir com elas.

Me empresta o seu tempo?
Perdi o meu, ele se foi com o vento.

Emprestei meus ouvidos e meus olhos pra ele;
Ofereci minha boca e minhas mãos pra eles;
Quiseram e me perderam. Me perdi, estou do averso.

Me contento enquanto tenho a mim,
me encontro no inferno que me pertence.

O afeto que em mim não é frequente,
me faz mentir sobre coisas evidentes!

“Será que você não percebe?”