con-sagrada

meu ego foi carcomido por você
a óstia não é santa, eu me tornei
no território hostil você ousadamente, dançou
desde o dia do eclipse lunar que só nós dois conseguimos ver

aquela energia rara nos rege até então

o gosto que eu senti foi de crassa satisfação
deleitoso… e eu não esperava
prendeu a liberdade, eu já sabia
fui para casa, cônscia que os planetas se alinharam naquele dia

queria ter ficado mais

um bicho do mato desconfia de tudo
e eu fui ao máximo do meu limite
em me relacionar com o desconhecido
re-conhecidos pela energia e só

sorriso e olhar terno e malicioso ao mesmo tempo

me encontrei na confusão que permiti
e sucumbi aos seus movimentos
com você dentro de mim, a tríplice se completa
me ajoelho perante a você para sempre, divindade.

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obsolescência

quem foi que lhe falou que eu estou viva?

quem disse que eu respiro? Sob-revivo.

me componho a cada dia, me disTraio…

mas me ganho e conquisto, só não vivo.

as palavras me enforcam, sufocam meu âmago

já os versos… os versos eles me matam

apesar de serem or(ações), me deixam imóvel, não há como fugir

as poesias me alimentam, revigoram…

cada cria é um rastro, um sinal de que eu sobrevivi

as autoridades vêem os elementos que me assolam a alma e não tomam nenhuma providência

vidência na vivência faz uma demasiada diferença.

me perdoem a loucura, mas foi o caminho que encontrei pra me curar

é o que impede de me curvar pra tudo que acontece no meu nada.

me considerem antiquada…

yellow

foi uma simples pergunta: “você é solteira?”, e minha mente parou por uns cinco segundos. me veio a lembrança de como é gostoso te ver sorrindo, ver seus olhos – que são lindos, inclusive -, em mim.

parei porque o nosso relacionamento sem compromisso me deixa presa a você. as pessoas livres como eu, não costumam se acostumar em gaiolas, mas nós dois somos dois pássaros numa gaiola aberta; livres pra voar e voltar quando quisermos.

parei porque minha vontade é de nunca voar. se for para voar, que seja juntos.

parei porque há tempos eu respondia essa pergunta com a maior naturalidade do mundo, e ontem foi diferente; eu simplesmente parei.

parei porque eu não quero que nosso lance torne-se uma prisão, mas desejo muito que seja de verdade até o fim ou eternidade.

parei porque sou uma solteira apaixonada, e tive mais certeza que esse estado civil pouco importa quando nosso coração e pensamentos já estão domados por alguém.

estou livremente presa e foda-se meu ego que acostumou-se a ser exílio.
me perdoem, mas não haverá mais poesias melancólicas por causa de uma solidão que não é mais minha…

hoje meu mundo tem cor. não sei até quando durará, mas agora ele é yellow.

sem título

nadando nas nebulosas, o universo instantaneamente me controla, uno versos e é literalmente isso que me consola,

minha tropa que trupe pela beira da estrada, é a paisagem natural em meio a geográfica, é a roupa que veste o nada

o humilde tornou-se rei…

sou menos nervosa agora, continuo teimosa: glória! Tenho a força do sol em mim: lua. Sou várias: nua, ao me despir em frases e fases, crua. 
convido-vos a chorar, desabafar, desabar e a especialmente, se recriar. Cria das estradas de terra sou, filha da Mãe Terra – valente – sou.

fica para fixar minha mensagem: morra…

sem cor nem brilho, cem fé

com notas no bolso me noto no bolso de um magnata,

minha vida é lixo e tóxico, torço pra melhorar,

é melhor orar em silêncio, talvez assim Deus me ouça,

é difícil reconhecer que vivi milênios, penso isso gritando pra não me internarem e me rendo.

renda mínima, vendo a menina vendida por pouco,
reflito sobre o meu valor, concluo que que ao contrário dela não valho nada,

o que difere é só o tamanho da dor que não se mede,

eu não dou importância a nada disso, singelamente egoísta dou importância pra isto…
é justo!

supero com resiliência o que não queria pra minha vida mas aceito,

tenho dinheiro mas não tenho o cuidado da minha mãe todos os dias,

não entendo tamanha sensibilidade aqui dentro.

morro a cada dia mais um pouco e esse ano já me suicidei mais de oito vezes.

peço perdão a vida(…)

quarta-feira

Depois da quarta dose vem a quarta morte, a próxima quinta vida já cheira a solidão

Mas, como quem não sabe sobre dor, eu bato de frente com ela, fingindo muito bem: sorrindo.

Depois que a driblo desejando-lhe boas vindas, maquiavélica e friamente penso em como assassiná-la.

De forma gradual e precisa eu analiso os pontos fracos da mesma, e percebo quão cruel a ela é…

Já não me importo mais, provavelmente fingiremos ser boas amigas como sempre fizemos;

Apesar de sermos rivais eternas,

Eternizo as lembranças e sento frente a frente com ela e converso…

 Com versos expresso o mínimo que eu sinto, as linhas aliviam, mas são limitadas à minha vasta capacidade de sentir e pensar.


Obrigada pelo espaço!

o inferno que criei

O verso me liberta, vê só, a solidão
é um bálsamo para minh’alma

Minha melhor versão não mostro de cara,
me olho e não reconheço esses carmas.

Das armas que uso, nem todas assumo.
Estou prestes a sumir com elas.

Me empresta o seu tempo?
Perdi o meu, ele se foi com o vento.

Emprestei meus ouvidos e meus olhos pra ele;
Ofereci minha boca e minhas mãos pra eles;
Quiseram e me perderam. Me perdi, estou do averso.

Me contento enquanto tenho a mim,
me encontro no inferno que me pertence.

O afeto que em mim não é frequente,
me faz mentir sobre coisas evidentes!

“Será que você não percebe?”